segunda-feira, 21 de maio de 2012

La vie...

O tempo passa de forma tão inconstante
A verdade de hoje pode se transformar no passado de um amanhã
Mais rapidamente que um piscar de olhos

Eu vejo minha vida de hoje
E enxergo a distância enorme com a de ontem
Tudo se transforma
E é tudo tão estranho
Que deixa até mesmo de fazer sentido

Quase nada faz sentido
São os caminhos que seguimos
Que todos seguem
São as escolhas alheias
Que interferem no nosso destino

Chega a ser bizarro imaginar
Que o seu decidir sair de casa numa tarde de domingo
E o meu decidir andar nas ruas na mesma tarde de domingo
Ou um cinema, talvez
E o nosso cruzar
Possa significar a mudança de tudo o que conheço como verdade hoje em dia

Talvez o que eu espere realmente seja uma grande modificação
Ou algo grande
Maior do que o que vejo hoje em dia
Para me abrir os olhos
Para me mostrar uma nova perspectiva

E assim
Conforme todas as vidas se movem ao redor do mundo
A minha é baseada numa constante espera
Por uma grande modificação
Que pode se dar mais rapidamente
Que um piscar de olhos

terça-feira, 8 de maio de 2012

Um texto para alguém mais que especialmente especial.



Maria Angélica Cardoso Pereira


Faz um mês que aconteceu e eu até agora não disse nada. Dia 07 de abril, Lollapalooza em sua versão brasileira. O feriado tinha tudo para ser extremamente feliz. Foo Fighters, páscoa e almoço em família no domingo. Porém havia algo, uma coisa que trouxe, ao contrário, extremo desconsolo para todos nós: meus pais, irmão, tios e avós, e conhecidos.


Em tal dia, 07 de abril, por volta das 18h, enquanto eu aguardava que se iniciasse o show da Joan Jett, uma pessoa extremamente especial faleceu. Seu nome era Maria Angélica, e a ela eu dedico este texto com todas suas palavras, bem como todos os momentos nos quais senti sua ausência desde então. Sei que levou tempo para que eu escrevesse, talvez por não saber ou entender muito bem aquilo que deveria ser dito, ou ainda apenas para evitar de tocar no vazio que ela deixou em algum lugar ao partir.


Pois bem, Maria Angélica faleceu aos 86 anos de idade. Fora mãe de três filhos e avó de quase dez neto. Na década de noventa, foi bisavó de uma menina e de um menino: eu e meu irmão. Pouco tempo, muito pouco tempo antes de nos deixar, foi bisavó por mais duas vezes. Provavelmente, se eu quisesse escrever um livro sobre sua vida, poderia, muito embora minha mente imatura de 19 anos não permita nem de longe que eu obtenha ideia das coisas pelas quais Maria Angélica passou no decorrer dos anos de sua  longa vida. Mas que teve história para contar e coisas a ensinar, não tenho a menor dúvida. Eram coisas boas e ensinou bem. Sei disso. Qualquer um que conheça minha família irá entender. 


É quase engraçada a forma com que enquanto escrevo esse texto, me vem à mente desvendar os mistérios da vida de Maria Angélica. Quais segredos guardaria alguém que nasceu em 1926? O pensamento é instigador. Com muito orgulho, digo que minha bisavó aprendeu com a vida aquilo que tentaram me ensinar na escola. Muito pequena, presenciou a Crise de 29, depois a Revolução de 30, Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, o nascimento e a queda do Muro de Berlim. Provavelmente assistiu nos cinemas a maior parte dos filmes de Charles Chaplin, presenciou orgulhosamente a participação de seus filhos em busca de um país melhor nos tempos de ditadura, sempre tentando ensiná-los a dar o melhor de si, sempre encorajando a seguir em frente e alimentando com força, fé em suas crenças, dignidade e respeito. Não há palavra no mundo que explique o sentimento de orgulho e carinho que guardo por minha sempre querida bisavó!


E todas as vezes em que me lembro do tempo que passamos juntas, todas as vezes em que agora penso em tudo aquilo que deixei de perguntar a ela, tudo aquilo que deixei de aprender com ela, todo o tanto que dela deixei de conhecer, bem como todo o carinho de bisneta que talvez eu tenha deixado de dar, meu coração parece bater de um jeito estranho dentro do peito, meio como um descompasso, e acho que o nome disso tudo só pode ser saudade. Talvez seja essa uma das saudades mais profundas que já senti na vida, talvez a mais profunda, talvez uma das únicas verdadeiramente reais.


Nos seus últimos dias de vida, quando ia a visitar aos finais de semana, me lembro dela com ternura e afeto. Como será possível que uma pessoa prestes a deixar o mundo humano e com plena consciência de sua situação, com plena consciência da fase pela qual estava prestes adentrar, pudesse continuar a viver com tanta tranquilidade, tanta coerência e lucidez? Não acho que eu seria capaz. E isto aumenta ainda mais os meus motivos de orgulho.


Se existe um dia que para sempre lembrarei com felicidade por ser quem sou, tal dia foi quando, pela penúltima vez em que a vi, sua ajudante, enquanto estávamos sentadas observando-a dormir, contou-me de como ela sempre falava sobre mim coisas boas com orgulho e alegria. Mal poderia ela imaginar que verdadeira alegria foi aquela que senti quando fiquei ciente de seu carinho. E tal alegria, digo mais uma vez, guardarei eternamente.


Não sei bem se essas poucas palavras são dignas da grandeza da pessoa que foi minha bisavó, embora certamente compreenda que jamais chegarão perto de fazer jus a sua história. Mesmo assim, constituem-se de todos meus sentimentos mais sinceros. E de tal modo, após pouco mais de um mês de atraso, reflexão e saudades, deixo meu mais feliz adeus. Feliz sim, pois despedidas como esta não devem ser coisa triste. Se há algo que minha bisavó mereça, tal algo nada mais é que felicidade. Alegria, por ser exatamente o que ela sempre transmitiu a todas pessoas que viviam ao seu redor. Assim sempre me lembrarei dela: um par de olhos azuis, um sorriso no rosto, e um arsenal de grandes histórias de uma vida inteira para contar.


Aonde quer que esteja, minha avó querida, espero que agora escute atentamente ao que por último irei aqui dizer: para sempre amarei e lembrarei de você. 

domingo, 29 de abril de 2012

Dreams


Anos, meses, dias, horas, minutos
Tudo continuamente tão rápido
Que também os segundos já nem mais se vê

Quantas pessoas especiais vão continuar sempre a mudar?
E os fracos, quantos estragos ainda irão causar com suas dores?

Olho para os cantos buscando respostas que jamais poderão ser concretas
Ao contrário, apenas impossíveis por inteiro
A verdade é sempre incerta
Eis algo que jamais deve ser esquecido

Tantas vezes, de tristeza a vida se faz...
Quando erros somados às armadilhas do acaso pegam a todos desprevenidos
Desmontam os cegos de coração
E quando se volta a enxergar, acontece de nada mais poder ser feito

Muitas vezes só é preciso permitir abrir um pouco mais os olhos
E sentir tudo passar
Deixar ir embora
Exatamente como plumas
Brancas
Como o vento
Voando
E batendo em nossos rostos.
Assim, mais uma vez, respirar..

Pense,
Que jamais se deve deixar de sonhar
Ou abandonar um sonho
Tudo me parece tão inadequado
Quando se trata de deixar um amor
Qualquer seja sua forma.

Olhe aqui, se tudo está nos olhos de quem vê
Cada um enxerga apenas aquilo que deseja
E aqui retornamos à verdade, sempre relativa

Por isso existem tantos enganos e desenganos
Tantos enganos pelo mundo todo
E a gente nunca compreende o que realmente deve ser
Ai quem sabe, fechar os olhos?
Tudo é oposto
Vidas inteiras têm na construção de suas bases, pura e genuína contradição.


"We are such stuff as dreams are made on, and our little life
is rounded with a sleep." William Shakespeare

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre mim nada mais já sei
Que não seja o conflito sobre aquilo tudo que realmente sou
Meus olhos refletindo não dizem muita coisa sobre a individualidade de alguém
Ou apontam peculiaridades comuns a todos aqueles por ser humano determinados
Aquilo que desejo, já não sei
Aquilo que amo, já não compreendo
Meus objetivos se confundem entre caminhos de moldes irregulares
E já não sou mais capaz de distinguir nem mesmo aquilo que sempre acreditei ser verdade em algum lugar de mim
Então o que sou, afinal?
Montes de dúvidas e questionamentos talvez impossíveis de se responder
O densentendimento do passado com a incompreensão do presente
Medos e temores adicionados à vontade de refazer o todo que existe aqui
E seguir adiante
E fazer de novo
E tentar
E recomeçar
Sempre, recomeçar.
Com a esperança de um novo dia que traga algo milagrosamente regenerador
Ou apenas apto a modificar mesmo que uma pequena parcela do que precisa ser alterado em mim
Preciso mudar em mim.
Preciso que mude em mim.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Miragem

Isso tudo me faz pensar
Como é triste saber que há coisas que não retornam jamais
Bons momentos, amizades, algo que um dia trouxera alegrias ou boas sensações
Algum cheiro bom ou sentimento bonito
O fruto que já agora se encontra provavelmente perdido
E descobrir que tudo não foi tão bem aproveitado
Talvez mesmo um pouco desperdiçado
Então uma sensação estranha sopra em algum lugar dentro da gente
A lembrança que chega e faz sentir no peito algo um pouco vazio
Nada de calor, tampouco reconforto
O nome disso tudo é saudade.
Se houvesse condição de voltar no tempo e reviver boas lembranças...
Se houvesse condição de aproveitar tudo até o último segundo de um momento
Se antes do fim o sentimento de saudade por nós já fosse conhecido
Quem sabe tanta coisa não pudesse ser extremamente diferente no mundo
Quem sabe o planeta Terra não fosse um lugar mais feliz?
E as conseqüências da felicidade apenas trariam bem, enfim.
Apenas uma vez que nada é o que parecia
Nada é o que se imaginava
Tudo é o que se temia
Agora eu poderia dizer um pouco mais sobre os enganos da vida
Tudo aquilo que acreditou ser verdadeiro e nada passava de uma simples miragem refletindo sobre nossos olhos
A vida é assim e sempre será...
Até o dia em que mudarmos algo muito grande dentro de nós.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Talvez, muito talvez.

Talvez 3:26 da madrugada fosse um bom horário para eu estar dormindo e seja um péssimo horário para bloggar, e mesmo assim cá estou eu 3:27 da madrugada (o tempo passa rápido, minha gente)tentando encaixar minhas palavras no tempo curto que passa tão rapidamente e quando eu menos esperar já será 03:28 (agora). Minha internet da vivo está tão lenta que não consigo ao menos twittar "I know exactly who I´m", tenho sido picada por pernilongos há horas e há um projeto de mariposa voando perto da minha mesa de jantar (ou a mesa de jantar da minha mãe, ou da casa dos meus pais, para ser mais precisa). Estou com uma alergia atacada no pescoço e quanto mais eu cutuco a alergia mais ela irrita a minha pele. Hoje assisti dois filmes na sala (coisa que não faço há umas boas semanas), algo que resultou num surto repentino de vontade de desenhar (seja lá qual for a estranha razão). Eu, desenhando. Eis uma das coisas mais nonsensical que podem existir, porém algo de que sempre gostei muito durante toda minha vida (mesmo que muito secretamente). Aliás, eu desenho mal pra caralho. Bom, agora são 3:33 da madrugada e minhas canelas estão coçando por causa das picadas e o meu pescoço está ardendo devido à alergia e esse meu texto não faz nenhum sentido. E dai? E dai que uma vez um amigo meu me disse que não se deve falar em primeira pessoa em um blog, pois tal atitude torna o narrador/persoganem/principal extremamente vulnerável aos olhares alheios. Isso significa que eu realmente não deveria contar que os meus desenhos de hoje envolveram frases como um mantra por mim muito estimado, uma frase inglesa oriunda da primeira metade do século XX, e uma música argentina. Ou então que eu escrevi tudo à lapiseira e pintei tudo à giz. Muito menos que eu gostei do que fiz e me senti bem desenhando feito uma criança estudante pré- escolar e sem talento algum (diga-se de passagem). Nem sobre a intensidade do bem que desenhar assim tão mal causou em alguma parte de mim ou sobre como estou me sentindo tranquila agora ou sobre como tais momentos fazem com que eu me sinta plena em todos os sentidos no que diz respeito àquele tal de auto-conhecimento. Então talvez agora eu possa terminar explicando o meu tweet "I know exactly who I´m". Sim, digo que "I know exactly who I´m" e agora posso dormir muito mais que tranquila. Boa noite a você também, que sabe "exactly who you are". Adios!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Vale a pena no meio de tanta confusão.

Dia 08 de dezembro e o ano cada vez mais próximo do final. Você para e pensa sobre tudo ao seu redor e percebe que o tudo é sempre a mesma coisa toda. Pode não fazer muito sentido, mas é assim. Você continua acordando atrasado, trabalhando e reclamando, está quase de férias da faculdade (caso já não esteja), vê amigos com certa frequência e todos os dias continua a fazer sempre e sempre a mesma coisa.
Procura livros que digam algo sobre isso tudo ou sobre si mesmo e fica puto quando descobre que quase nada pode dizer alguma coisa sobre aquilo que nem mesmo você sabe o que deve ser que possa dizer. Você anda nas ruas e vê coisas e gente o tempo todo e mesmo assim não consegue entender o que significa ver essas coisas e pessoas e cachorros andando, gatos talvez, todos aqueles carros enchendo as ruas e fazendo barulhos, um puta sol forte e calor, muito calor, e a vontade de poder estar em qualquer outro lugar junto a vontade de poder estar apenas onde se está, modificando talvez aquelas coisas que te fazem querer estar distante e juntando-as a partículas que perpetuam aquilo que se pode chamar de felicidade, os seus amigos, alguma coisa inusitadamente engraçada, ou o modo com que o sol apesar de forte e quente carrega resquícios que aquecem alguma coisa por dentro, ou um cachorro bonitinho fazendo graça na rua, ou presença de uma pessoa para ajudar outra, perceber que o mundo apesar de muito podre também é muito bom e que sempre existem dois lados diferentes de uma mesma moeda, ou dar um beijo na sua mãe, rir, rir, rir e rir como se os dentes pudessem saltar da face, alguém para conversar e entender, ou apenas uma calmaria interior quando você deita em sua cama ou toma um banho ou anda pelas ruas para chegar a algum lugar, uma calmaria que tranquiliza e chega ao cérebro causando as mesmas sensações que uma música doce e boa soa aos ouvidos.
Então você para e pensa assim: mas o que! Qual o sentido disso tudo ou será que tudo valeu, vale, valerá a pena e os maus momentos também, por que os bons mesmo que pequenos sempre conseguem fazer desaparecer qualquer mau momento ou má lembrança, adoçando aquilo que se encontra amargo ou clarificando o que está escuro. E então você se lembra que como por Fernando Pessoa já fora dito, ‘tudo vale a pena quando a alma não é pequena’. E ela não é.